RABULARUM - espaço dos rábulas inconformados


RECORTADO DO BLOG DO NOBLAT (09/07/2009)

Deu na Folha de S. Paulo

O gol de Ronaldo

A informação de Ronaldo traz colaboração importante, se não para inquérito, por certo para uma biografia de Lula

De Janio de Freitas:

Conhecidas outras relações suspeitas ou comprometedoras entre Lula e ao menos uma empreiteira, nem a alienação dos grã-finos da oposição, nem artimanhas ou equívocos de transcrição podem obscurecer a gravidade da informação dada pelo jogador Ronaldo sobre outro comprometimento do próprio presidente da República com empreiteiras.

Em contraste com as versões publicadas no noticiário como se literais, mas todas abrandando a frase objetiva e clara de Ronaldo, Tostão, o cronista craque, fechou sua coluna de ontem com uma nota, "Absurdo", que repõe sentido e tempos verbais adequados ao original: "Ronaldo disse no programa "Bem, Amigos", do SporTV, que o presidente Lula tem ajudado bastante o Corinthians por meio de contatos com empreiteiros para a construção do centro de treinamento do clube! Absurdo um presidente fazer isso! Parei!".

Ronaldo segundo o noticiário da Folha: "Ele [Lula] é a principal pessoa que tem ajudado o Corinthians nesta nova fase. Mas não é ajuda financeira. O que ele tem feito é passar contatos de empreiteiras e indicar empresas que podem ajudar".

Ronaldo segundo "O Globo", na primeira página, lá sem aspas de palavras de transcrição: "Ronaldo surpreendeu ao afirmar, no "Bem, Amigos", do SporTV, que o presidente Lula vai indicar as empreiteiras que construirão o centro de treinos do Corinthians".

Ronaldo na página principal de esportes, com sinal de transcrição literal: "O presidente Lula é quem mais está ajudando o Corinthians nessa fase. Ele está dando alguns contatos de empreiteiras que podem nos ajudar, mas não é financeiramente. Ele é fanático, um corintiano roxo. O presidente está sabendo de tudo e indica as empresas que podem ajudar".

Registro meu, no trecho que aqui interessa, quando referido o encontro do jogador com Lula: ..."é uma das pessoas que mais ajudam o Corinthians. É o que ajuda mais. Ele pede a empreiteiras para nos ajudar".

Notícia anterior ao Lula presidente deu conta de que sua filha morava em Paris custeada por uma empresa, citada mais tarde como uma empreiteira.

Já em pleno mandato, a gigantesca empreiteira Andrade Gutierrez associa-se, e infla de capital, a pequena ou micro empresa de que um filho de Lula é sócio. E há meio ano está aí, consumada, uma das maiores aberrações já havidas no Brasil em negócios privados com a mão e o dinheiro providenciados pelo governo: a compra da Brasil Telecom pela Oi/Telemar (Grupo Andrade Gutierrez) antes mesmo que Lula alterasse a lei para torná-la possível.

Um dos três inquéritos pedidos, agora, pelo procurador federal Rodrigo de Grandis no caso Satiagraha, refere-se ao negócio BrT-Oi/Telemar, porque financiado por dois bancos estatais, o BNDES e o do Brasil, e participação de Daniel Dantas, com suspeita de crime financeiro ou lavagem de dinheiro em torno de sua parte. Esse é um inquérito que, se levado adiante pelo Judiciário, pode chegar ao que uma CPI, caso os partidos oposicionistas fizessem oposição com honestidade e civismo, já poderia ter chegado.

Tal como dada mesmo, a informação de Ronaldo traz uma colaboração importante. Se não para o inquérito, cujo pedido o Judiciário talvez prefira em um arquivo, por certo para uma biografia de Lula mais verdadeira do que a fabricada pela Unesco para um prêmio sem candidatos.

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/07/09/o-gol-de-ronaldo-203522.asp



Escrito por LBeraldo às 19h04
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RECORTADO DO BLOG DO NOBLAT (09/07/2009)

verba da Petrobrás

Fundação de Sarney dá verba a empresas fantasmas

Fundação de Sarney dá verba da Petrobrás a empresas fantasmas

Prestadoras de serviço com endereço fictício ficaram com R$ 500 mil de R$ 1,3 milhão destinado a projeto

De Rodrigo Rangel e Leandro Colon, em O Estado de S.Paulo:

A Fundação José Sarney - entidade privada instituída pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para manter um museu com o acervo do período em que foi presidente da República - desviou para empresas fantasmas e outras da família do próprio senador dinheiro da Petrobrás repassado em forma de patrocínio para um projeto cultural que nunca saiu do papel.

Do total de R$ 1,3 milhão repassado pela estatal, pelo menos R$ 500 mil foram parar em contas de empresas prestadoras de serviço com endereços fictícios em São Luís (MA) e até em uma conta paralela que nada tem a ver com o projeto.

Uma parcela do dinheiro, R$ 30 mil, foi para a TV Mirante e duas emissoras de rádio, a Mirante AM e a Mirante FM, de propriedade da família Sarney, a título de veiculação de comerciais sobre o projeto fictício.

A verba foi transferida em 2005, após ato solene com a participação de Sarney e do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli.

A Petrobrás repassou o dinheiro à Fundação Sarney pela Lei Rouanet, que garante incentivos fiscais às empresas que aceitam investir em projetos culturais. Mas esse caso foi uma exceção. Apenas 20% dos projetos aprovados conseguem captar recursos.

O projeto de Sarney foi aprovado pelo Ministério da Cultura em 2005 e está em fase de prestação de contas na pasta. Antes da aprovação, o próprio Sarney chegou a enviar um bilhete ao então secretário executivo e hoje ministro da pasta, Juca Ferreira, pedindo para apressar a tramitação.

Em 14 de dezembro, o ministério comunicou que o projeto estava aprovado e, no dia seguinte, a Petrobrás anunciou a liberação do dinheiro. Procurada pelo Estado, a Petrobrás informou que a fundação foi incluída no programa de patrocínio como "convidada" e por isso não teve de passar pelo processo de seleção.

O objetivo do patrocínio, que a fundação recebeu sem participar de concorrência pública, que a estatal faz para selecionar projetos, era digitalizar os documentos do museu. "Processamento técnico e automação do acervo bibliográfico", como diz um relatório de contas.

Pela proposta original, que previa o cumprimento das metas até abril de 2007, computadores seriam instalados nos corredores do museu, sediado num convento centenário no centro histórico de São Luís, para que os visitantes pudessem consultar online documentos como despachos assinados por Sarney na época em que ocupava o Palácio do Planalto.

Até ontem, não havia um único computador à disposição dos visitantes.

Nos últimos dias, o Estado analisou notas fiscais e percorreu os endereços das empresas que a fundação afirma ter contratado para prestar serviços ao projeto.

Na relação de despesas, foram anexados até recibos da própria entidade para justificar o saque de R$ 145 mil da conta aberta para movimentar o dinheiro do patrocínio.

Em recibo de 23 de março de 2006, em papel timbrado da fundação, Raimunda Santos Oliveira declara ter recebido R$ 35 mil por "serviços prestados de elaboração do projeto de preservação e recuperação do acervo" do museu.

Procurada ontem pelo Estado, ela disse que já trabalhou na fundação, mas nos anos 90. "Eu trabalhei lá de 1990 a 1995", disse. Sobre o recibo, não quis comentar: "Não sei do que você está falando."

A lista de empresas que emitiram as notas revela atuação entre amigos no esforço para justificar o uso do dinheiro. Uma delas, a Ação Livros e Eventos, tinha como sócia até pouco tempo atrás a mulher de Antônio Carlos Lima, o "Pipoca", ex-secretário de Comunicação da governadora Roseana Sarney (PMDB) e atual assessor do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, aliado da família.

Das 34 notas fiscais emitidas pela Ação, que somam R$ 70 mil, 30 são sequenciais - é como se a firma tivesse apenas a Fundação José Sarney como cliente.

Mais: uma das sócias, Alci Maria Lima, que assina recibos anexados à prestação de contas, nem sabe dizer que tipo de serviço a empresa prestou. "Eu assinei o recibo, mas não sei o que foi que a empresa fez, não."

"Pipoca" é irmão de Félix Alberto Lima, dono de outra empresa, a Clara Comunicação, que teria prestado serviços ao projeto da fundação. As notas da Clara totalizam R$ 103 mil.

Ao Estado, Félix Lima disse num primeiro momento que prestou serviços de divulgação das atividades da fundação. Ele não soube explicar a relação disso com o projeto patrocinado pela Petrobrás.

"Não sei de projeto, me chamaram para fazer esse trabalho e cumpri isso profissionalmente", disse. Mais tarde, em outro telefonema, tentou retificar o que dissera: afirmou que a Clara foi contratada para divulgar o projeto.

Outra empresa cujas notas foram anexadas na prestação de contas, o Centro de Excelência Humana Shalom, não existe nos endereços declarados à Receita Federal. Por "serviços de consultoria", teria recebido R$ 72 mil da Fundação José Sarney.

À época, a Shalom tinha como "sede" a casa da professora Joila Moraes, em bairro de classe média de São Luís. "A empresa é de um amigo meu, mas nunca funcionou aqui. Eu só emprestei o endereço", disse Joila. Ela é irmã de Jomar Moraes, integrante do Conselho Curador da Fundação José Sarney e amigo do senador.

Uma terceira empresa, a MC Consultoria, destinatária de R$ 40 mil, nunca existiu no endereço no qual foi registrada na Receita. Funcionários do prédio jamais ouviram falar dela.

Na prestação de contas, há até notas referentes à compra de quentinhas num restaurante na rua do museu. A fundação pagou R$ 15 mil pelas marmitas.

Pelo valor unitário, R$ 4,50, o restaurante teria fornecido mais de 3 mil quentinhas.

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2009/07/09/fundacao-de-sarney-da-verba-empresas-fantasmas-203404.asp



Escrito por LBeraldo às 14h12
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DO BLOG DO RICARDO KOTSCHO (07/07/2009)

MAURA MARQUES: A MULHER QUE MORREU DUAS VEZES

FÁTIMA SOUZA

Irreverente, alegre, divertida, louca pela vida, Maura Marques sentiu uma dor de cabeça muito forte, a ponte de virar o estômago. O dia era primeiro de julho de 2009. Ela deitou um pouco e, como a dor não passava, o marido, Rui, decidiu levá-la ao pronto socorro mais próximo.

Apesar da dor intensa, Maura foi conversando e brincando durante o trajeto. No tal do “PS”, uma destas coisas públicas, confessaram os médicos que não tinham como dar o tratamento adequado porque o caso era de aneurisma cerebral.

Foi então a Maura transferida para o Hospital do Mandaqui, na Zona Oeste de São Paulo, outra destas coisas públicas. Levada para a emergência do Pronto Socorro do Hospital, logo ao dar entrada, Maura desfaleceu e foi entubada.

Era grave o seu caso e os filhos e as filhas e o querido marido de tantos anos começaram a ligar para os amigos. Já era madrugada quando eles foram descansar um pouco, voltando ao Mandaqui (não deixaram ninguém da família ficar ao lado dela) para a visita, as 11 e meia da manhã.

A amiga Sonia, também advogada e “unha e carne” de Maura Marques foi junto com Rui para vê-la. Embora a sua grande amiga estivesse sedada e entubada, Sonia conversou com ela, lembrou-a que era ela uma guerreira e pediu que – como fez a vida inteira – continuasse a lutar. Dos olhos de Maura brotaram lágrimas e Sonia apertou-lhe a mão, sabendo que ela não podia falar, mas ouvia.

Quase uma da tarde, fim de visita. De jaleco branco o médico de plantão, que se identifica apenas como Valter (será que nenhum médico de hospitais públicos tem sobrenome???), não faz cerimônia e nem tem gentileza para dizer à melhor amiga de Maura e ao seu marido de 30 anos de vida em comum que ela teve “morte cerebral”.

Rui, que tem problemas cardíacos e safena no coração, fica tonto e, incrédulo, pergunta: “ O senhor, doutor, está me dizendo que minha mulher está morta?!”

- Sim, está morta. Não há retorno. Daqui a pouco uma equipe de captação de órgãos vai procurá-los para que vocês doem os órgãos dela…

Sonia dá um “toque” para que o doutor se toque e respeite a dor de Rui e espere um pouco para pedir os órgãos de Maura. Sim, não devemos ser egoístas, devemos deixar que outras pessoas vivam com o que não vamos mais precisar, mas… será que o doutor poderia esperar um pouco e ter um bocadinho de sensibilidade em tal momento?

Aos prantos, o marido Rui sente o chão ceder aos seus pés. O coração cansado e triste fraqueja ainda mais e ele precisa de atendimento médico. Depois, desolado, vai para casa e de novo liga para amigos e parentes, desta vez para dar a notícia pior: Maura Marques, a mãe, esposa, advogada profissional, mulher de fibra, alegre e irreverente está com morte cerebral e não tem volta. Os preparativos para o velório e a cremação na Vila Alpina (desejo de Maura) começam a ser providenciados.

Em conversa franca e solidária, a família decide doar os órgãos, conforme pediu o doutor. Já são mais de dez da noite e eles voltam ao coisa pública do Mandaqui levando roupas para trocar a Maura e informar que a família decidiu doar o que dela pode ajudar outras pessoas.

O doutor Valter não está mais lá, agora é o doutor João o responsável pelo plantão noturno. Ao conversar com a família, ele se espanta e diz: 

- Acabei de fazer um teste e a Maura respondeu aos estímulos, prova de que não está em morte cerebral. O doutor Valter se enganou porque ela estava sedada quando ele deu o diagnóstico. O caso dela é grave mas morte cerebral não há.

Rui, Ruizinho (o filho mais novo do casal) e a filha “Li” se abraçam e riem emocionados. Maura não está morta! Não teve morte cerebral! O doutor Valter, segundo o doutor João, se enganou!

Como Maura continua na emergência do PS (embora, pela gravidade do caso, a família tinha pedido e insistido para que ela fosse removida para a UTI) não permitem que alguém fique com ela, ao lado dela, durante o resto da noite. Na emergência deste PS, não pode ficar ninguém com o paciente.

Todos se irritam, mas… como ficar zangado com a maravilhosa notícia de que Maura Marques não está com morte cerebral, que foi engano do tal médico Valter da tal coisa pública? Vai embora então a família esperançosa,  usando todos os telefones celulares no caminho para avisar amigos e parentes de que Maura está viva e que não haverá mais velório e nem crematório. Exaustos, todos dormem, felizes e cheios de esperança.

Quando amanhece de novo já é sexta feira, dia 3 de julho. Rui o marido, Sonia, a grande amiga, as filhas, os filhos, outros parentes, amigos e amigas, estão na porta do Mandaqui para visitar a querida Maura Marques. É só das 11 meia ao meio dia e meia… Uma horinha que será curta, com certeza, porque tem gente demais e só pode entrar uma pessoa por vez.

Vem, no entanto, a notícia que ninguém queria ouvir: Maura Marques está morta outra vez! Aconteceu às 08.55 da fria sexta feira cheia de ventania. Maura está morta há cerca de duas horas ou mais. Agora, de verdade, cerebral e fisicamente. É uma enfermeira quem dá a notícia ao marido Rui, que, pela segunda vez, é avisado que a esposa está morta.

De novo ele rodopia, titumbeia, passa mal e precisa ser medicado. A firme e eterna amiga Sonia ampara Rui e chora com ele. Quando os celulares começam a tocar, para saber como Maura está, a resposta é a mesma para todos: “Agora Maura morreu mesmo!” Pela segunda vez. Velório e crematório agora irão acontecer de verdade.

A família e os amigos, sem acreditar, pedem para falar com o médico de plantão para ter melhores explicações. São informados de que agora são duas médicas, duas doutoras e que elas vão atendê-los brevemente. Mas o tempo passa, a família cobra e a nova informação é a de que as doutoras foram almoçar.

Passa das duas e meia da tarde quando a filha Li, cansada de esperar pelo fim do interminável almoço e da falta de informação, decide entrar no hospital (até então todos esperavam do lado de fora) e procurar as doutoras. Depois de mais muita espera as duas moças, médicas, de avental branco, contam que o caso era grave, que o fato de não terem levado a Maura para a UTI não foi só porque não tinha vaga, mas que não era necessário devido à gravidade e quase irreversibilidade do caso.

E quanto ao diagnóstico “precoce” e precário do tal doutor Valter, que assegurou ao meio dia do dia 2, que ela estava com morte cerebral, informação negada, dez horas depois pelo doutor João?

- Ele errou e, se eu puder pedir desculpas por ele…, diz uma das doutoras.

- E quanto à doação de órgãos que ele foi logo pedindo?

- Errou de novo, diz a doutora, que ainda promete conversar com o tal doutor, dizendo que ele não pode e nem tem autorização para pedir doação de órgãos à família porque só ela pode fazer isso, por ser a responsável pelas equipes de captação de órgãos. Portanto, só ela seria autorizada a pedir os órgãos aos familiares de quem está em morte cerebral, se é que o paciente está mesmo neste estágio.

A família da batalhadora Maura Marques questiona: ao meio dia da quinta feira, quando o doutor Valter achou que ela estava com morte cerebral, certamente ele passou esta informação aos enfermeiros de plantão…. “achando” que Maura estava “praticamente” morta, alguém continuou cuidando dela? 

A “desentubaram” ou ela continuou com os aparelhos? Foram ministrados medicamentos durante este período ou “achando” que ela estava semi-morta ninguém mais se importou com ela? Desencanaram de levá-la à UTI já que ela estava quase-morta? Era necessário levá-la para a UTI? Ajudaria?

Conta o filho Ruizinho que quando esteve lá à noite (na quinta, 10 horas depois do doutor Valter informar que ele estava com morte cerebral e minutos após saber pelo doutor João que ela não estava porque tinha respondido a estímulos), a mãe estava com os cabelos cheio de sangue.

O travesseiro em que ela repousava também estava todo ensangüentado e ninguém o trocou. Também havia urina na cama, mas o lençol não foi trocado. Afinal, todos pensavam – com a anuência do doutor Valter – que ela estava quase morta, praticamente morta. O doutor João disse que não, então trocaram-se lençóis e fronha.

Na madrugada, já de sexta, dia fatal, Maura Marques realmente entrou em morte cerebral e quase batendo as nove da manhã nos ponteiros do relógio, Maurinha morreu de verdade, pela segunda e última vez, deixando saudades e dúvidas.

Conta, entre lágrimas, a grande amiga Sonia, que Maura, em uma audiência, depois de ouvir das testemunhas de acusação o que ela considerou “mentiras deslavadas”, olhou para a juíza e disse:

 - Porra, excelência!… tá na cara que eles estão mentindo!

Era assim a Maura Marques, advogada, mãe, esposa, amiga, gente, pessoa da melhor qualidade: irreverente, competente, alegre, feliz, de bem com a vida, autêntica e como ela mesma dizia: “uma mulher do caralho!”

 - Porra doutor!… tá na cara que o senhor se enganou, diria ela, se pudesse, ao tal médico Valter do Hospital do Mandaqui, a tal coisa pública.

http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/2009/07/07/fatima-souza-as-duas-mortes-de-maura-marques/

 

  1. 07/07/2009 - 17:59 Enviado por: Renato Lombardi

    Caro Ricardo. Lendo o seu blog fiquei sabendo da história escrita pela Fátima e da morte de Maura Marques. Eu conheci a advogada Maura Marques quando cobri toda a história envolvendo o sequestro da filha de Silvio Santos, o sequestro do próprio Silvio, a prisão dos sequestradores e a morte do sequestrador Fernando Dutra Pinto no Centro de Detenção Provisório do Belém. Fernando para quem não se lembra fugiu com o dinheiro do pagamento do resgate e foi cercado num flat de Alphaville por policiais civis de duas delegacias. Os policiais não se conheciam e trocaram tiros entre si. Dois morreram. Na ocasião a informação foi que Fernando tinha praticado as mortas mnas soube-se depois que os policiais tinham trocado tiros na disputa do dinheiro enquanto Fernando fugia entre duas paredes na encosta do prédio.
    Bem, Fernando com medo de ser morto pelos policiais foi à casa de Silvio Santos na manhã do dia seguinte, pulou o muro e fez Silvio refém até se entregar horas depois para o secretário da Segurança da época, Marcus Petrelluzzi e o governador Geraldo Alckmin. Fernando acabou morrendo na cadeia, segundo os médicos da prisão, de parada cárdio respitarória. Maura Marques contratada pela família do rapaz duvidou. Acreditava que ele fora envenenado na prisão. Ficou por isso mesmo. A morte dos policiais cuja apuração foi arquivada. E a morte de Fernando também arquivada. Enfim, Maura era uma excelente advogada. Uma pena! Quanto ao médico. Bem… a gente sabe. Tem médico e médico….. E o Conselho Regional de Medicina continua dormindo.
    abração



Escrito por LBeraldo às 13h43
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FOLHA DE SÃO PAULO DE HOJE 05/07/2009

A PRETEXTO DO SENADO

Janio de Freitas

Feitas, mas não esgotadas, denúncias para todos os gostos fora do Senado e interesses dentro dele, Lula resolveu ampliar a dimensão do jogo. Ao acordar na marra o punhado de senadores petistas que sonharam estar ainda no velho PT, e se posicionaram contra o peemedebista José Sarney, Lula falseia o seu motivo: "é preciso manter a governabilidade", ou o PMDB na aliança governista. Mas o verdadeiro nome da alegada governabilidade fica melhor em algarismos, quatro apenas: 2010.

A atitude de Lula tem as mesmas razões de outros casos simultâneos. Um deles, a irritação, e o consequente "passe bem" que dirigiu a Mangabeira Unger, ao ser informado de que o seu (então) ministro, nomeado de favor ao vice José Alencar e ao senador Marcelo Crivella, buscava articulações no PMDB e em outros partidos contra a candidatura de Dilma Rousseff.

O outro caso é o de Nelson Jobim. Durante as articulações para a eleição de 2006, Jobim antecipou sua aposentadoria no Supremo Tribunal Federal com a expectativa de sair candidato a vice de Lula e pelo PMDB.

Por esse motivo, embora também por outros, Lula retardou até onde pôde a confirmação de José Alencar na chapa. Já que, tal como Mangabeira, Jobim considera-se ungido para as alturas presidenciais, sua saída do Ministério da Defesa está em preparativos do governo e do próprio. Da parte de Jobim, com a expectativa de uma candidatura do PMDB, como defende um segmento do partido, ou a vice. De José Serra, inclusive.

Mangabeira e Jobim não têm importância política, e de eleitoral nem se fale, para justificar, por si, preocupação e atos de Lula. Mas nisso mesmo comprovam que Lula olha hoje para o PMDB com a vista posta na disputa sucessória.

Governabilidade? A parcela do PMDB que pulasse do governismo explícito para o alto do muro, em resposta à ação decisiva do PT contra a presidência de Sarney, seria por certo inexpressiva em tamanho e influência.

O PMDB está infiltrado do topo até as últimas raízes do governo, e sua finalidade principal é essa mesma. Se um Edson Lobão talvez saísse do ministério por interesses maranhenses, os outros peemedebistas do governo se engalfinhariam pela indicação do substituto também peemedebista.

E tudo seguiria igual por bom tempo. Ou até as negociações finais para as candidaturas, quando as alianças para alguns governos estaduais serão mais influentes, na formação das alianças federais, do que em todas as outras eleições do pós-ditadura.



Escrito por LBeraldo às 15h18
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