RABULARUM - espaço dos rábulas inconformados


DO BLOG DO REINALDO AZEVEDO

SARNEY DEU UM SUSTO EM DILMA,

QUE ASSUSTOU LULA,

QUE DEU UM CHEGA-PRA-LÁ EM MERCADANTE

quinta-feira, 2 de julho de 2009 | 19:09

 

O PT agora passou a defender a permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado e fala, na verdade, em projetos de mais longo prazo. Data vênia, boa parte dos coleguinhas come gato por lembre quando afirma que o recuo se deveu apenas à ameaça de renúncia de Sarney, o que poderia jogar a Presidência das mãos de Marconi Perillo (PSDB-GO). Isso sempre esteve no horizonte. É a regra, não? Todos sabiam que o eventual “afastamento temporário” queria dizer “afastamento definitivo”. A ameaça de Sarney, em conversa com Dilma Rousseff, não foi essa.

Sarney apresentou à ministra-candidata o pacote completo de sua “renúncia”. E o primeiro item foi a possibilidade de uma boa parcela do PMDB desembarcar do… “Projeto Dilma”. Ela ouviu atentamente e entendeu o recado. O segundo item foi a CPI da Petrobras. Da instalação aos rumos da comissão, tudo depende do comportamento do PMDB. Não que Sarney, experiente que é, não pudesse fazer tudo isso sozinho. Poderia. Mas, nesse caso, contou com a ajuda de um discípulo que pode ser um verdadeiro professor do mestre em matéria de jogo bruto: Renan Calheiros (PMDB-AL).

Dilma, como disse, entendeu diretinho os riscos e acionou o chefe, que estava lá metido naquele circo de horrores de ditadores africanos, a defender o direito que os facínoras têm de matar o seu próprio povo desde que sejam facínoras aliados.

Lula, então, acionou o comando do PT, deixou claro quem manda e ordenou a Mercadante (PT-SP) que inventasse um outro discurso. E Mercadante fez o que o chefe mandou. Ontem aliado do DEM no pedido de afastamento de Sarney, o senador passou hoje a criticar o partido pelo mesmíssimo motivo.

Eis o PT.

http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/sarney-deu-um-susto-em-dilma-que-assustou-lula-que-deu-um-chega-pra-la-em-mercadante/



Escrito por LBeraldo às 20h13
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DO BLOG DO MAIEROVITCH

1 de julho de 2009

Arquivado inquérito de grampo, depois de Mendes

fazer o Brasil viver dias de Honduras

Mendes e o grampo sem prova da existência

Mendes e o grampo sem prova da existência

Enquanto o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), agitava-se em busca de informações sobre a prisão temporária do banqueiro e paciente Daniel Dantas — a fim de apreciar pedido liminar em habeas corpus liberatório —, recebeu um aviso da desembargadora federal Suzana Camargo.

A desembargadora, por solicitação do presidente do Pretório Excelso, ajudava na localização do juiz Fausto De Sanctis. Este, em sede de habeas corpus, precisava informar o ministro Mendes sobre os motivos da imposição de prisão a Daniel Dantas.

Durante a conversa telefônica com Mendes, a desembargadora Suzana Camargo resolveu confidenciar que o gabinete da presidência do STF havia sido grampeado. Isto pelos responsáveis pela operação Satiagraha. Afirmou a desembargadora ter sido informada do grampo em conversa reservada com o juiz De Sanctis.

O juiz De Sanctis, posteriormente, desmentiu a desembargadora. E avisou que jamais admitiria tamanha arbitrariedade. Em outras palavras, chamou a desembargadora Suzana Camargo de mentirosa.

Como tem fama de carreirista e de bajuladora de Mendes, a desembargadora Suzana Camargo, nos corredores dos fóruns e tribunais, foi rotulada de fofoqueira e oportunista.

Talvez este episódio sirva para explicar a derrota da desembargadora Suzana Camargo à presidência do Tribunal Regional. Atenção: a derrota não é definitiva, pois a desembargadora tenta ganhar no “tapetão”, ou melhor, por meio de recurso interposto no Supremo Tribunal Federal, onde não obteve a liminar desejada.

Pouco tempo depois, com Daniel Dantas já solto por uma segunda liminar a derrubar o decreto de prisão preventiva (o juiz decretou prisões temporária e preventiva, que são coisas diversas, embora tenham igual gênero de prisão cautelar), Mendes denunciou um grampo no seu gabinete. E a revista Veja apresentou o teor do diálogo dado como interceptado ilegalmente: conversa telefônica entre o presidente Mendes e o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

A reação de Mendes foi desproporcional e arbitrária. Além de chamar o presidente Lula às falas, exigiu o imediato afastamento do delegado Paulo Lacerda, então diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Esqueceu-se de que os poderes são independentes e harmônicos. Pelo jeito, Mendes continua a esquecer, pois tinha candidato — que é professor do seu Instituto de Ensino — para o cargo de procurador-geral da República (chefe do Ministério Público Federal). Aliás, emplacou o candidato, com a aprovação de Lula, e o seu  afilhado, depois de sabatinado e aprovado, será o novo procurador, junto ao STF.

Na verdade e referentemente ao caso do “grampo sem áudio”, uma intromissão de Mendes em outro poder (Executivo), como sucedeu, há pouco, em Honduras e que culminou com o golpe que derrubou o presidente José Manuel Zelaya, do partido de centro-direita (PLH), no cargo desde 28 de janeiro de 2006.

Parêntesis. No caso de Honduras, o presidente Zelaya não cumpriu uma decisão da Suprema Corte. Em vez de se usar o democrático sistema de freios e contrapesos consagrado por Montesquieu, a Suprema Cortede de Honduras decretou a prisão de Zelaya por desobediência à decisão, a proibir pesquisa preparatória a referendo sobre mudança constitucional. Em resumo, sem impeachment (o sistema de Honduras é influenciado pela Common Law), ou melhor, sem o devido processo legal, tirou-se, por golpe, Zelaya da Presidência de Honduras.

Até 1982, quando eleito presidente Suazo Córdova, do partido Liberal, e aprovada uma constituição para Honduras, o país tinha sua história política marcada por uma infinidade de golpes militares

Fechado o parêntesis.

Como Lula obedeceu a Mendes, o delegado Paulo Lacerda e o seu vice de Abin,  José Milton Campana, foram afastados.

Lacerda, que se cansou de esperar a exibição do áudio do suposto “grampo”, exonerou-se da Abin e partiu para Portugal, onde trabalha como adido policial na embaixada.

O áudio, isto é, a prova do corpo de delito e caracterizadora da existência de crime, nunca apareceu.

Como noticia o jornal Folha de S.Paulo de hoje, o inquérito policial apuratório já foi concluído “sem achar grampo no STF”.

PANO RÁPIDO. A revista Veja informou aos seus leitores que havia recebido o áudio de um agente da Abin e, evidentemente, não tinha a obrigação de identificá-lo.

Mendes, depois da reação imprópria, chegou a admitir — em tradicional sabatina promovida pela Folha de S.Paulo — a possibilidade de o grampo não ter existido: - “Se a história não era verdadeira, era extremamente verossímil”, disse Mendes.

Como se percebe, por verossimilhança, Mendes pediu a cabeça de Lacerda e intrometeu-se no Executivo, a dar ordens a Lula. Certamente, não condenaria, em julgamento no STF, ninguém com base em verossimilhança e sem prova da materialidade (áudio que jamais apareceu).

O brilhante jornalista Luis Nassif, no seu concorrido blog e a respeito do episódio, fez uma observação perfeita e preocupante. Ou seja, não se pode dizer que não tenha havido grampo, como não se pode afastar a suspeita de o próprio ministro Mendes ter montado uma farsa.

Nesse episódio, o Brasil, pelo chefe do Poder Judiciário, teve o seu dia de Honduras, ou seja, de república bananeira.

–Wálter Fanganiello Maierovitch–

http://maierovitch.blog.terra.com.br/



Escrito por LBeraldo às 16h12
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Da Folha de São Paulo de Hoje (28/06/2009)

ELIO GASPARI

O Bolsa Ditadura tornou-se uma indústria

O assalto à bolsa da Viúva conseguiu o que 21 anos de perseguições não conseguiram, avacalhou a velha esquerda

SE ALGUÉM QUISESSE produzir um veneno capaz de desmoralizar a esquerda sexagenária brasileira dificilmente chegaria a algo parecido com o Bolsa Ditadura.
Aquilo que em 2002 foi uma iniciativa destinada a reparar danos impostos durante 21 anos a cidadãos brasileiros transformou-se numa catedral de voracidade, privilégios e malandragens. O Bolsa Ditadura já custou R$ 2,5 bilhões à contabilidade da Viúva. Estima-se que essa conta chegue a R$ 4 bilhões no ano que vem. Em 1952, o governo alemão pagou o equivalente a R$ 11 bilhões (US$ 5,8 bilhões) ao Estado de Israel pelos crimes cometidos contra os judeus durante o nazismo.
O Bolsa Ditadura gerou uma indústria voraz de atravessadores e advogados que embolsam até 30% do que conseguem para seus clientes. No braço financeiro do pensionato há bancos comprando créditos de anistiados. O repórter Felipe Recondo revelou que Elmo Sampaio, dono da Elmo Consultoria, morderá 10% da indenização que será paga a camponeses sexagenários, arruinados, presos e torturados pela tropa do Exército durante a repressão à Guerrilha do Araguaia. Como diria Lula, são 44 "pessoas comuns" que receberão pensões de R$ 930 mensais e compensações de até R$ 142 mil. Essa turma do andar de baixo conseguiu o benefício muitos anos depois da concessão de indenizações e pensões aos militantes do PC do B envolvidos com a guerrilha.
O doutor Elmo remunera-se intermediando candidatos e advogados. Seu plantel de requerentes passa de 200. Ele integrou a Comissão da Anistia e dela obteve uma pensão de R$ 8.000 mensais, mais uma indenização superior a R$ 1 milhão, por conta de um emprego perdido na Petrobras. No primeiro grupo de milionários das reparações esteve outro petroleiro, que em 2004 chefiava o gabinete do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh na Câmara. O Bolsa Ditadura já habilitou mais de 160 milionários.
É possível que o ataque ao erário brasileiro venha a custar mais caro que todos os programas de reparações de todos os povos europeus vitimados pelo comunismo em ditaduras que duraram quase meio século. Na Alemanha, por exemplo, um projeto de 2007 dava algo como R$ 700 mensais a quem passou mais de seis meses na cadeia e tinha renda baixa (repetindo, renda baixa). Na República Tcheca, o benefício dos ex-presos não pode passar de R$ 350 mensais.
No Chile, o governo pagou indenizações de 3 milhões de pesos (R$ 11 mil) e concedeu pensões equivalentes a R$ 500 mensais. Durante 13 anos, entre 1994 e 2007, esse programa custou US$ 1,4 bilhão. No Brasil, em oito anos, o Bolsa Ditadura custará o dobro. O regime de Pinochet matou 2.279 pessoas e violou os direitos humanos de 35 mil. Somando-se os brasileiros cassados, demitidos do serviço público, indiciados ou denunciados à Justiça chega-se a um total de 20 mil pessoas. Já foram concedidas 12 mil Bolsas Ditadura e há uma fila de 7.000 requerentes.
Os camponeses do Araguaia esperaram 35 anos pela compensação. Como Lula não é "uma pessoa comum", ficou preso 31 dias em 1979 e começou a receber sua Bolsa Ditadura oito anos depois. Desde 2003, o companheiro tem salário (R$ 11.239,24), casa, comida, avião e roupa lavada à custa da Viúva. Mesmo assim embolsa mensalmente cerca de R$ 5.000 da Bolsa Ditadura. (Se tivesse deixado o dinheiro no banco, rendendo a Bolsa Copom, seu saldo estaria em torno de R$ 1 milhão.)
O cidadão que em 1968 perdeu a parte inferior da perna num atentado a bomba ao Consulado Americano recebe pelo INSS (por invalidez), R$ 571 mensais. Um terrorista que participou da operação ganhou uma Bolsa Ditadura de R$ 1.627. Um militante do PC do B que sobreviveu à guerrilha e jamais foi preso, conseguiu uma pensão de R$ 2.532. Um jovem camponês que passou três meses encarcerado, teve o pai assassinado pelo Exército e deixou a região com pouco mais que a roupa do corpo, receberá uma pensão de R$ 930.
Nesses, e em muitos outros casos, Millôr Fernandes tem razão: "Quer dizer que aquilo não era ideologia, era investimento?"

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2806200907.htm



Escrito por LBeraldo às 12h52
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O empresário Gilmar prospera

19/06/2009 13:54:36

Redação CartaCapital

Assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) fez bem aos negócios de Gilmar Mendes. Desde que passou a ocupar o posto, sua escola, o Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP) expandiu o número de contratos com órgãos públicos. Todos sem licitação. Em 2007, quando Mendes ainda era só ministro do STF, o IDP faturou 216,3 mil reais com esses convênios. No ano passado, a quantia subiu para 577,8 mil. E no primeiro semestre de 2009, o Tesouro já empenhou 597,8 mil para pagar os cursos oferecidos pelo instituto.

Até a Polícia Federal, que, segundo o ministro, abriga “gângsteres”, virou cliente. Foram 17,4 mil reais para pagar cursos a dois delegados. O estranho é que o contrato, também sem licitação, não tem uma identificação clara no Siafi, o sistema eletrônico que lista as ordens de despesa do governo.

No corpo docente do IDP, como se sabe, figuram, entre outros, procuradores da República, auditores fiscais e ministros dos tribunais superiores, inclusive do STF, como Eros Grau e Carlos Ayres Britto, Nelson Jobim (Defesa), Jorge Hage (Controladoria-Geral da União), Mangabeira Unger (Planejamento Estratégico) e José Antonio Toffoli (Advocacia-Geral da União) são alguns dos representantes do Executivo nos quadros do instituto. Sem ligar para o conflito, o IDP costuma ministrar cursos nestes tribunais e repartições.




Escrito por LBeraldo às 00h02
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