RABULARUM - espaço dos rábulas inconformados


DA FOLHA DE SÃO PAULO DE HOJE (25/06/2009)

CLÓVIS ROSSI

Fora Sarney é pouco

FRANKFURT - Atos secretos, funcionários secretos, secretamente contratados e demitidos e, agora, uma conta secreta, como se houvesse um Senado do "b" funcionando ali no Planalto Central.


Anteontem, enquanto escrevia um texto sobre os escândalos envolvendo o primeiro-ministro italiano Silvio Berlusconi, trombei com um comentário de Edmondo Berselli, do jornal "La Repubblica", que falava em "prostituição do regime".


Pensei: bom, no Brasil ainda não chegamos a tanto. Mas, no caso do Senado, talvez já seja a hora de repensar. O descontrole foi longe demais. Ou melhor, o que já se sabe sobre a Casa foi longe demais, mas, pelo andar da carruagem, ainda pode-se chegar bem mais longe.


E, convenhamos, o movimento "fora Sarney", que se esboça no próprio Senado e, com muito mais força, em setores da opinião pública, não é a solução. A rigor, se Sarney deixar a presidência, pode até saciar a sede de sangue de parte do público, mas acabará sendo apenas o bode que se tira da sala.


O problema do Senado vai muito, muito, muito além de Sarney. Envolve todas as Mesas Diretoras dos últimos muitos anos e, ao menos indiretamente, envolve todos os senadores que as elegeram -o que significa que devem sobrar dois ou três, se tanto, não maculados, seja por ação, seja por omissão.


A única maneira de enfrentar o escândalo é chamar a Polícia Federal e o Ministério Público para fazer uma varredura completa nesse aparelho clandestino que apenas por inércia chamamos de Senado. Ah, é bom lembrar, como fez ontem Fernando Rodrigues, que a Câmara não é muito melhor, não.


Não me venham, por favor, com violação da Constituição, respeito a um outro poder etc. O Senado caiu na clandestinidade. Clandestinos, ainda mais quando fazem trambiques com dinheiro público, são alvo da polícia necessariamente.


crossi@uol.com.br

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz2506200903.htm



Escrito por LBeraldo às 17h58
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DO BLOG DO NOBLAT

Enviado por Ricardo Noblat
25.6.2009 | 8h03m

Sai dai rápido, Sarney!

O que dirá o senador José Sarney (PMDB-AP) quando lhe perguntarem a respeito do neto que há dois anos negocia dentro do Senado empréstimos consignados para servidores, segundo reportagem publicada, hoje, pelo jornal O Estado de S. Paulo?

Dirá que desconhecia o fato?

O neto é filho do deputado Zequinha Sarney (PV-MA).

Presidente do Senado pela terceira vez, senador há 19 anos, seguramente o mais prestigiado dos 81 senadores, responsável pela nomeação de um diretor-geral que permaneceu no cargo durante 14 anos, acolitado por mais de 100 auxiliares, é razoável imaginar que Sarney nunca ouviu falar das ações do neto banqueiro?

Quem acredita? Seria a mentira do ano.

Se ouviu e as considerou legítimas é porque perdeu o juízo por completo.

Há um claro conflito de interesses entre um senador no exercício de suas funções e um neto a realizar transações financeiras em um espaço sujeito à forte influência do avô. A mais rala noção de ética impediria que uma situação desse tipo tivesse se estabelecido.

Sarney valeu-se do "eu não sabia" para contornar a descoberta de que recebia há mais de um ano auxílio-moradia de R$ 3.800,00 mensais, embora tenha casa própria em Brasília, além da residência oficial de presidente do Senado. 

Novamente apelou para a mesma desculpa ao ser confrontado com a informação de que outro neto dele, filho do seu filho mais velho Fernando, havia sido funcionário do gabinete do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA). "Eu não pedi e não sabia", jurou Sarney.

Disse ainda que nada pedira e que nada sabia a respeito das nomeações de uma prima e de uma sobrinha de Jorge Murad, seu genro. Uma delas morava em Barcelona e era lotada no gabinete do líder do PTB no Senado.

Preferiu nada comentar sobre a nomeação em 2005 de seu irmão Ivan para a 2ª Secretaria do Senado. Dali, mais tarde, Ivan foi exonerado mediante ato secreto. 

Admitiu ter pedido ao colega Delcídio Amaral (PT-MS) que empregasse uma sobrinha que se mudara para Campo Grande. Uma vez que o nome da sobrinha foi citado pela imprensa, pediu a Delcídío que a devolvesse.

Sarney saiu em defesa da filha Roseana quando este blog publicou em primeira mão que Amauri Machado, conhecido como "Secreta", ganhava salário de motorista do Senado para trabalhar como serviçal na casa da atual governadora do Maranhão.

"Ele é chofer do Senado há 25 anos", contou. "E Roseana nem mora mais em Brasília".

"Secreta" foi um chofer pago pelo Senado para trabalhar, primeiro, na casa de Sarney, e, depois, na casa de Roseana. Até há pouco, Roseana morava em Brasília.

Por último, Sarney negou a existência de atos secretos produzidos pela direção do Senado. Ao saber que eles existiam, sim, apressou-se em garantir:

- Mas é tudo relativo ao passado, nada relacionado ao nosso período. Nós não temos nada a ver com isso. Eu não vou dizer que ocorreu na presidência tal e tal, até porque alguns colegas nossos estão mortos.

Restou provado que algumas dezenas de atos secretos foram assinado por Sarney quando assumiu pela segunda vez a presidência do Senado. Portanto, aqui, há como se afirmar que ele mentiu para seus pares e para o distinto público.

Numa linguagem tortuosa, que não faz jus a um escritor de tantos livros e membro da Academia Brasileira de Letras, Sarney observou outro dia:

- Nossos valores [do Congresso] não podem ser julgados pela imperfeição do exercício, dos valores morais e dos valores do parlamento que são feitos muitas vezes por maus parlamentares a quem devemos combater.

Em defesa da própria reputação e, é claro, do cargo que ocupa, Sarney trovejou na tribuna do Senado:

-  A crise do Senado não é minha. A crise é do Senado. É essa instituição que nós devemos preservar. Tanto quanto qualquer um aqui, ninguém tem mais interesse nisso do que eu, até porque aceitei ser presidente da Casa.

Se ainda está valendo o que ele disse sobre a preservação do Senado como instituição; se de fato ninguém mais do que ele tem interesse em preservá-la; se não quer passar pelo pesadelo que atormentou Renan Calheiros (PMDB-AL), obrigado a se licenciar do cargo e, mais tarde, a abdicar dele; Sarney deveria renunciar de imediato ao cargo de presidente.

A crise é do Senado, mas também é dele. Uma presidência em crise não tem condições de administrar uma instituição em crise.

Não é mais caso de licença do cargo, mas de renúncia, como decretou, anteontem, o senador Pedro Simon (PMDB-RS).

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/



Escrito por LBeraldo às 17h44
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DO BLOG DA LUCIA IPPOLITO

farra com o dinheiro do contribuinte

No Senado não há inocentes

 LUCIA IPPOLITO

Por cumplicidade, conivência, omissão ou mesmo descaso, todos o senadores e senadoras estão envolvidos na lama que escorre por todos os poros do Senado Federal.

Durante décadas, receberam as benesses sem saber de onde vinham. Durante décadas utilizaram dinheiro público indevidamente, sem se preocupar com as razões.

Claro que há diferenças. Não se pode reunir no mesmo saco senadores que apenas não se preocuparam em saber se um ato assinado por eles tinha sido ou não publicado, junto com aqueles que privatizaram o Senado Federal para seus próprios interesses e de suas famílias. (veja abaixo a lista dos 37 senadores beneficiados e dos membros da mesa que assinaram atos secretos)

O que suas Excelências parecem resistir a compreender é que os tempos são outros.

Vejamos os protestos no Irã. Em 1973, o golpe militar no Chile expulsou os jornalistas estrangeiros e fechou as fronteiras. Assim os militares puderam ficar à vontade para chacinar milhares de chilenos, sem ter que dar satisfação à opinião pública internacional.

Já no Irã, estes últimos dias têm mostrado que, mesmo que a imprensa estrangeira esteja sendo proibida de trabalhar, milhões de iranianos estão fazendo o trabalho da imprensa, utilizando a internet para enviar vídeos por celular, fotos, mensagens por twitter e blogs. Consta que existem hoje no Irã cerca de 75 mil blogueiros.

O regime iraniano pode fechar ainda mais o país e matar milhares de pessoas. Mas o mundo vai ficar sabendo praticamente em tempo real.

Da mesma forma, parece que os senadores não perceberam que suas práticas são antigas, seu discurso está embolorado, sua retória indignada está completamente obsoleta. Sua visão do próprio cargo precisa de uma atualização urgente.

Hoje não há mais necessidade de esperar oito anos para julgar o desempenho de um senador. São julgados minuto a minuto. A TV Senado, os emails, os blogs, o twitter, as notícias em tempo real, tudo isto transformou o eleitor, sobretudo o mais jovem e mais antenado, num juiz do comportamento de seus representantes.

Senadores com empregados particulares pagos com recursos públicos através do orçamento do Senado. Senadores com familiares empregados com recursos públicos através do orçamento do Senado.

Senadores se apropriando de verbas indenizatórias através de atos secretos.

Planos de saúde para ex-senadores e familiares garantidos por atos secretos.

É um sem-fim de irregularidades.

Não se pode responsabilizar apenas os agora ex-diretores. Os senadores também são responsáveis.

Em tempo: ano que vem tem eleição. Dos 81 senadores, 54 terão que se apresentar aos eleitores para renovar o mandato.

E o mandato de senador é distrital. Ninguém pode se beneficiar de sobras eleitorais, quocientes elevados ou puxadores de legenda.

Estão todos ameaçados. Vamos ver no que dá.

Mas não tentem iludir a sociedade brasileira, clamando inocência.

LISTA DOS SENADORES BENEFICIADOS POR ATOS SECRETOS (segundo o jornalista Leonardo Colon, do Estado de São Paulo)

Aldemir Santana (DEM-DF)
Antonio Carlos Júnior (DEM-BA)
Augusto Botelho (PT-RR)
Cristovam Buarque (PDT-DF)
Delcídio Amaral (PT-MS)
Demóstenes Torres (DEM-GO)
Edison Lobão (PMDB-MA) licenciado para assumir ministério
Efraim Moraes (DEM-PB)
Epitácio Cafeteira (PTB-MA)
Fernando Collor (PTB-AL)
Geraldo Mesquita (PMDB-AC)
Gilvam Borges (PMDB-AP)
Hélio Costa (PMDB-MG) licenciado para assumir ministério
João Tenório (PSDB-AL)
José Sarney (PMDB-AP)
Lobão Filho (PMDB-MA)
Lúcia Vania (PSDB-GO)
Magno Malta (PR-ES)
Marcelo Crivella (PRB-RJ)
Maria do Carmo (DEM-SE)
Papaléo Paes (PSDB-AP)
Pedro Simon (PMDB-RS)
Renan Calheiros (PMDB-AL)
Roseana Sarney (PMDB-MA) renunciou para assumir o governo do Maranhão
Sérgio Zambiasi (PTB-RS)
Serys Slhessarenko (PT-MT)
Valdir Raupp (PMDB-RO)
Wellington Salgado (PMDB-MG)

LISTA DOS SENADORES QUE ASSINARAM ATOS SECRETOS QUANDO INTEGRAVAM A MESA

Antonio Carlos Valadares (PSB-SE)
César Borges (PR-BA)
Eduardo Suplicy (PT-SP)
Garibaldi Alves (PMDB-RN)
Heráclito Fortes (DEM-PI)
Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR)
Paulo Paim (PT-RS)
Romeu Tuma (PTB-SP)
Tião Viana (PT-AC)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/luciahippolito/posts/2009/06/23/no-senado-nao-ha-inocentes-198338.asp



Escrito por LBeraldo às 23h09
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A memória do brasileiro continua curta...

Leiam o que publicava  a revista Veja, em maio de 1986:




Escrito por LBeraldo às 22h13
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