RABULARUM - espaço dos rábulas inconformados


DO BLOG DO RICARDO NOBLAT

Deu no Jornal do Brasil

'A operação foi, sim, missão presidencial', diz Protógenes

De Vasconcelo Quadros:

O delegado federal Protógenes Queiroz transita pelo país como um franco atirador que não escolhe alvo para mirar e disparar. Na semana passada, pressionado pelos deputados da CPI do Grampo, mas protegido por um hábeas corpus, o delegado não respondeu perguntas que soavam impertinentes. Mas abriu o jogo numa entrevista exclusiva ao Jornal do Brasil, revelando o que não quis contar aos deputados.

– A Operação Satiagraha foi, sim, uma missão presidencial! – diz

Protógenes ouviu de seu antigo chefe, o delegado Paulo Lacerda, ex-diretor da Polícia Federal e ex-diretor da Abin, hoje Adido Policial em Portugal, que a investigação em torno de Dantas era do interesse do Palácio do Planalto, ou seja, tinha, sim, segundo ele, o crivo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A razão era lógica: não satisfeito em espionar todo o primeiro escalão do governo, o banqueiro ainda distribuiu à revista Veja um dossiê, publicado em maio de 2006, onde insinuava que o presidente e três ex-ministros (Luiz Gushiken, Marcio Thomaz Bastos e Antonio Palocci), além de Lacerda e o senador Romeu Tuma (PTB-SP), eram titulares de contas em paraísos fiscais.

Além disso, teria orientado seus assessores a negociar com o filho de Lula, Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, o caso Gamecorp, numa atitude que o Planalto interpretou como cooptação para constranger o presidente. Dantas também contratou e passou a fazer negócios com personagens que estavam no coração do partido do governo, o PT, entre os quais o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh e o ex-ministro José Dirceu. No entendimento das autoridades que cuidam da segurança, a intenção do banqueiro era mostrar seu poder e pressionar o governo para levar vantagem na guerra pelo controle das teles. Acabou ofendendo o mais importante símbolo da República, a figura do presidente.

– É só prestar atenção na estrutura que colocaram à minha disposição na época em que as investigações ganharam força – lembra o delegado.

A história da espionagem começou em 1994, foi repassada à Veja em 2005 e publicada em 2006. Era, na verdade, uma fraude. O banqueiro contratou a empresa Kroll para investigar, mas caiu na armadilha dos adversários e mandou para a frente uma falsa denúncia. A revista rompeu o off e revelou que foi Dantas quem entregou o dossiê.

Para desvendar a rede de Dantas, Protógenes diz que chegou a contar com 26 policiais federais especializados em investigação financeira, dois peritos, 10 viaturas caracterizadas, três carros blindados e os recursos financeiros necessários para dar cabo à investigação.

– Por que me dariam essa estrutura se não houvesse o interesse do governo? Foi a maior operação da história da PF. O que até hoje eu não consegui entender é por que as coisas mudaram de uma hora para outra. As investigações se voltaram contra os policiais que investigavam o caso – reclama o delegado.

Federais e agentes da Abin – cuja missão é servir o gabinete do presidente – encararam a Satiagraha como razões de Estado. O cenário mudou, segundo ele, a partir de setembro de 2007, quando Lacerda deixou a PF.

– Em agosto de 2007 perguntei ao Paulo se permaneceria no cargo e ele me garantiu que sim. Logo depois caiu. Fiquei sozinho – afirma.

O delegado diz que a saída de Lacerda coincidiu com uma mudança de postura do governo, que deixou de se interessar pelas atividades criminosas do banqueiro quase ao mesmo tempo em que mudava a lei e se abriam as torneiras do BNDES para garantir a fusão da Brasil Telecom com a OI – operação que tirou Dantas do comando da empresa, mas engordou o Opportunity com mais de US$ 1 bilhão.

Em outubro de 2007, Lacerda assumiu a direção da Abin e, diante das reclamações de Protógenes sobre a falta de apoio na PF, decidiu bancar toda a Operação Satiagraha.

– Ele (Lacerda) colocou à minha disposição todos os recursos que a Abin tinha. Conversávamos todos os dias e ele estava a par de tudo – conta Protógenes, que hoje se diz profundamente decepcionado com seu antigo chefe.

O problema é que assim que veio à tona a real participação da Abin na Satiagraha, Lacerda tratou a operação como filho bastardo: em vez de assumir sua participação, adotou um comportamento dúbio, enquanto a CPI do Grampo e a PF cercavam Protógenes e desgastavam Lacerda. Os dois se encontravam pela última vez há um mês, quando Lacerda já estava de malas prontas com passagens compradas para Lisboa.

– Ele me recebeu por apenas 15 minutos e fez questão de encerrar logo a conversa. Parecia angustiado e triste por deixar o país.

Integrantes do grupo que dominou durante cinco anos a PF (2003 a 2007), Lacerda e Protógenes se enrolaram na mesma teia em que tentaram aprisionar o banqueiro e, involuntariamente, deixaram escapar a oportunidade de fazer uma faxina no mercado financeiro. Protógenes deixou a operação vazar para a TV Globo e cometeu uma série de trapalhadas, entre elas o patrulhamento de jornalistas que cobriam o mercado e, por força das circunstâncias, conversavam com Dantas e os executivos do Opportunity. Fez um relatório caótico, com delirantes acusações. Hoje o delegado flerta com o PSOL e com o PDT para sair candidato a deputado.

– Rachei o Brasil – diz, ao revelar ter recusado uma oferta de US$ 5 milhões de Daniel Dantas para abandonar o inquérito.

A proposta incluía sua nomeação como superintendente da PF no estado que escolhesse. Ele simulou que aceitaria a proposta, colocou outro delegado na falsa negociação e conseguiu pegar Dantas por tentativa de suborno, no único inquérito em que o empresário foi condenado.

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/



Escrito por LBeraldo às 13h13
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DO BLOG DA MARIA HELENA (13/04/2009)

http://oglobo.globo.com/pais/noblat/mariahelena/

No Fusca

 

 

Reunião dos delegados dos sindicatos franceses com o general de Gaulle, então presidente da França

Os delegados dos sindicatos abordam a questão do programa econômico e social:

"Mon général, comme nous l’avons déjà dit à l’un de vos prédécesseurs...".

O secretário-geral dos sindicatos cristãos não vai mais longe.

De Gaulle o interrompe:

"Le général de Gaulle n’a pas de prédécesseur ".

Silêncio total.

De Gaulle: "Mais continuez, messieurs, je vous en prie" .

Do livro Secrets d’État, de Jean- Raymond Tournoux, 1960, ed. Plon, pág.351



Procurava dados sobre a amizade que uniu o Barão do Rio Branco a Joaquim Nabuco, quando me deparei com um texto de Paulo Roberto de Almeida, Doutor em Ciências Sociais, mestre em Planejamento Econômico, sobre Rio Branco e Oliveira Lima.

O Dr. Paulo Roberto de Almeida cita ainda carta de John Basset Moore a Aluizio Napoleão, onde o jurista Moore diz: “Rio Branco foi a maior combinação de erudito e estadista que conheci”.

Aqui é preciso um parêntese para dizer que o juiz John Basset Moore (1860/1947) era uma autoridade em Direito Internacional, membro da Corte de Haia, o primeiro juiz americano a servir na Corte Permanente de Justiça Internacional. Também fiquei sabendo que o juiz Moore foi professor de Gilberto Freyre na Universidade de Columbia, NY.

José Maria da Silva Paranhos Júnior, Barão do Rio Branco (1845/1912), Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo (1849/1910), Manuel de Oliveira Lima (1867/1928). O que é que esses homens têm em comum, assim, à primeira vista?

A época em que viveram: o fim do Império e o início da República. Isso, para começo de conversa, porque eram os três diplomatas e membros da Academia Brasileira de Letras.

Rio Branco foi professor, político, jornalista, historiador, biógrafo. Mais que tudo: fez do Itamaraty um Ministério das Relações Exteriores respeitado no mundo inteiro e é o pai de nosso mapa. Sem ele, muito provavelmente nossas fronteiras seriam outras.

Joaquim Nabuco foi político, historiador, biógrafo, jurista e jornalista e um dos grandes pregadores do Abolicionismo.

Manuel de Oliveira Lima, foi escritor, crítico, historiador, jornalista, biógrafo e professor visitante na Universidade de Harvard.

Um carioca, Rio Branco, e dois pernambucanos, Nabuco e Oliveira Lima. Os três serviram à nossa política externa. Rio Branco sempre no Palácio Itamaraty e os outros dois seus enviados para embaixadas de peso.

Três figuras interessantíssimas, três homens de inteligência coruscante, três brasileiros que serviram ao Brasil engrandecendo nosso nome e que foram contemporâneos. Morreram relativamente jovens, na faixa dos sessenta anos.

Três homens da elite intelectual deste país. A elite que merece ser chamada de elite. Três homens que muito provavelmente iam entrar em choque se soubessem que hoje, para ser patriota, é preciso não se importar com a correção da língua, não ler, detestar o hemisfério norte e só gostar do hemisfério sul. Dividir o mundo em bons e maus conforme o gosto da zelite no poder. Repartir o Brasil em setores. Enfraquecer nossa união.

Chico Buarque, que talvez prefira ser chamado de membro da zelite, mas que é membro da elite intelectual quer queira quer não, e creio que bem o quer, pois senão não lançaria os livros que vem lançando, disse um dia cantando:

Não existe pecado do lado de baixo do equador
Vamos fazer um pecado rasgado, suado, a todo vapor
Me deixa ser teu escracho, capacho, teu cacho
Um riacho de amor
Quando é lição de esculacho, olha aí, sai de baixo
Que eu sou professor

Pois foi isso que nos aconteceu. A galera que chegou ao poder se convenceu que não há pecado abaixo do equador e que viver no escracho é que é o quente. Esse negócio de historiador, jurista, biógrafo, escritor, acadêmico, jornalista, não está com nada. A não ser que seja professor de esculacho.

Vocês hão de perguntar: e o De Gaulle com isso? Bem, De Gaulle entrou na história só para eu poder dizer que ao contrário de seu caso de amor com a França, o caso de amor com o Brasil desses três senhores que citei acima, é o contrário: eles não tiveram foi sucessores...



Escrito por LBeraldo às 00h03
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