O marqueteiro de Gilmar Mendes
16/12/2008 16:31:48
Celso Marcondes
Depois de, em menos de 72 horas, receber a medalha da Fiesp e o troféu da OAB, dar entrevistas ao Roda Viva e ao Canal Livre, todo mundo quer saber: quem é o marqueteiro de Gilmar Mendes, O Discreto? Como a revista CartaCapital foi considerada “desqualificada” pelo insigne na entrevista à emissora pública paulista, não teremos a oportunidade de perguntar diretamente a ele. Precisamos do apoio do leitor. Seria Duda? Guanaes? Justus? Respondendo sem qualquer convicção, deixando insatisfeita nossa colega Eliane Cantanhêde que lhe dirigiu a pergunta direta, O Discreto disse que “não pensa nisso (uma futura candidatura a qualquer cargo eletivo) no momento”. Pareceu que não convenceu a ela, nem a ninguém que viu o programa. Falava-se nos bastidores que o prefeito de São Paulo e o governador do Estado, estariam incomodados, pois nenhum dos seus assessores de imprensa ou de seus marqueteiros licitados conseguiu até aqui encaixar uma agenda tão profícua para qualquer dos dois.
A programação intensa em solo paulista começou na OAB, sexta-feira, quando O Discreto recebeu o Prêmio Franz de Castro Holzwarth de Direitos Humanos, já na sua 25ª edição. Antes, a comenda chegou à figuras ilustres, como D. Paulo Evaristo Arns, Ulisses Guimarães, Hélio Bicudo, Dalmo Dallari, Padre Julio Lancellotti ou Fábio Konder Comparato. Este ano, o agraciado pela entidade presidida pelo Dr. Luiz Flávio Borges D’Urso – também um dos coordenadores do famoso, embora, breve, movimento “Cansei” -, em função da sua reconhecida trajetória em defesa dos Direitos Humanos, agradeceu assim: "A homenagem, de profundíssimo significado simbólico, recrudesce em mim como cidadão e magistrado brasileiro, o compromisso de jamais medir esforços para a afirmação diuturna e intransigente desses direitos fundamentais". Quem estava lá, garante que ele não ficou vermelho ao dizer estas palavras e ninguém procurou lhe fazer quaisquer perguntas indiscretas, sobre questões candentes como a tortura e o direito indiscriminado aos hábeas corpus relâmpagos para certos banqueiros.
Já no Roda Viva, O Discreto garantiu que não lhe competia a responsabilidade de apresentar famigerada fita com a gravação de uma até hoje suposta conversa que teve com um senador muito democrata. Como acusador no caso, supunha-se que fosse dele o dito “ônus da prova”, mas ele não pensa assim. Quando sentia um mínimo de aperto da bancada de jornalistas que o questionava com impressionante furor, contava com a ajuda de um presumível assessor pessoal, que usava um chapéu para ser melhor identificado pelo entrevistado. O assessor, que estava lá em nome da revista que não apresentou a tal da fita, chegou a ficar indignado quando o assunto veio à tona. “Vocês estão sugerindo que é um complô?”, perguntou o de chapéu, só porque a prova do crime ninguém até agora viu.
Também nos bastidores corria a versão que o assessor havia sido infiltrado entre os jornalistas a partir de uma bela manobra concebida pelo marqueteiro d’O Discreto, sem que a direção da TV Cultura se desse conta. De qualquer forma, a jogada não passou despercebida pelos assessores de Gilberto Kassab e José Serra. Uns viram ali o dedo de um renomado publicitário que teria trabalhado na campanha de McCain recentemente. Outros acham que a ajuda vem da família, talvez de um irmão, que, na sua cidade natal, nunca viu fora dos arquivos qualquer uma das trinta ações que foram movidas contra ele. Outros ainda, têm diferente versão: O Discreto é autodidata, tudo que faz, inclusive nos terrenos da assessoria de imprensa e da publicidade, sai da sua própria cabeça. O leitor deve ter seu julgamento. O que causa estranheza é o fascínio pelos holofotes. Ou os antecessores d’O Discreto também eram assim, digamos, disponíveis?
http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=2984
Escrito por LBeraldo às 09h31
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OS LULASÍADAS
Os votos e os ladrões assinalados Que do nordeste agreste lulistano Por artifícios nunca d'antes perpetrados Passaram inda além das maracutaias, Sem perigos e guerras esforçados De quem vive na política gandaia E da gente humilde afanaram A grana com que tanto enricaram; E também as memórias ingloriosas Daqueles sem terra que foram se apossando Com engodo e fraude das terras produtivas Que do norte ao sul andaram invadindo, E aqueles que por obras viciosas Se vão da lei sempre se lixando, Cantando espalharei por toda parte, Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
Cassem do vernáculo e da gramática Os erros nos discursos que fizeram; Cale-se de Machado e de Queirós Os textos sublimes que escreveram; Que eu canto o peito ilustre Lulistano, A quem as Martas e Matildes obedeceram. Cesse tudo o que o PT antigo canta, Que outro PT apequenado se alevanta.
Deste ócio parlamentar sem mais temores, Alcança os que são de fama amigos Trezentos picaretas e graus maiores; Encostando-se sempre nos antigos Companheiros de cachaça e assessores; Foram anos dourados, entre os finos Lençóis de fio egípcio, puros linhos;
Se esta gente que busca Ministério. Cuja valia e obras tanto acusaste, Não queres que padeçam vitupério, Como há já tanto tempo que ordenaste, E ouças mais, pois não és juiz direito, Dar razões a quem sucede que é suspeito.
Passando ao largo o vento acalma Mas não duraria muito a calmaria Eis que um falso amigo denuncia Que um senhor falto de cabelos Traz malas cheias de alegria Mês a mês, com acertada pontaria, Pontualidade de antemão agradecida Pelos súditos que dançavam a quadrilha.
Entre gentes tão fiéis e tão medrosas, Mostra quanto pode; e com razão, É tão fácil entre ovelhas ser leão. Sabe bem o que o Dirceu arquitetou, E de tudo o que viu com olho atento, Negou e negando assim ficou, Até mesmo quando outro companheiro Num hotel foi pego com dinheiro. São uns aloprados, explicou. Mas, com risonho e ledo fingimento, Tratá-los duramente determina, Pois assim engana o povo, imagina.
Mas não lhe sucedeu como cuidava. Eis que aparecem logo em companhia Uns comparsas que freqüentavam aquela mansão, que de bordel em nada parecia.
Corrupto já lhe chamam os inimigos, Danoso e mau ao fraco corpo humano E, além disso, nenhum contentamento, Que sequer da esperança fosse engano.
Mas enxerga-se, num e noutro bando, Partido desigual e dissonante São muitos contra muitos; quando a gente Começa a alvoroçar-se totalmente «Viram todos o rosto aonde havia a causa principal do reboliço: entra em cena um caseiro, que trazia o testemunho sincero do serviço que as damas ali prestavam para tão seleta companhia, e onde fortunas repartiam.. Não perguntava, mas sabia As alegres badaladas que ali via.
É um suceder de ventos malcheirosos. Denuncia a imprensa dos maldosos que o divino comandava um corpore ativo não explicando à roda solta a gastança com uns cartões em prol da segurança da coroa e do cetro lu-lalante. São rubis, esmeraldas, diamantes, em luzentes assentos bem cuidados, estofados à conta do erário. Outros serviçais todos assentados na Ordem e no Progresso concertavam desculpas para os tucanos que acusavam fazendo coro com os democratas que gritavam. (Precedem os antigos, mais honrados, Mais abaixo os menores se assentavam); Quando o divino alto, assim dizendo, com tom de voz começa grave e horrendo: - «Eternos moradores do luzente, Estelífero Pólo e claro Assento: sou o grande valor pros crédulos e inocentes, de mim não perdeis o pensamento, deveis de ter sabido claramente como é dos fatos grandes certo intento que por ela se esqueçam os humanos Genoinos, Delúbios, Gregos e Romanos"
Mas em particular o esperto mui sabia, que mentir o faz mais elegante, Vereis como sorria e escarnecia, Quando das artes bélicas, diante Dele, com larga voz tratava e mentia. Para a disciplina militar ali prestante: "-não se aprende, senhores, na fantasia, sonhando, imaginando ou estudando, senão vendo, cupinchando e armando".. Mas eis que fala falso, mas alto e rude, da boca dos pequenos sabia, contudo, que o louvor sai às vezes acabado. "Tem-me falta na vida honesto estudo, com longa malandragem misturado, E engenho, que aqui vereis presente, cousas que juntas se acham raramente".
"Para servir-vos, braço às armas feito, Para cantar-vos, minto às Musas dada; Só me falece ser a vós aceito, De quem virtude deve ser prezada".
"Se isto o Céu concede, e o vosso peito Oh dígna empresa, dígno empreiteiro, com a ladroagem mente e vaticina olhando a sua substituta assaz divina, a má, a ladra, a serpentuosa Medusa, agora a seu lado, na falsidade inclusa": "faça vista grossa para temas nauseantes".. "Falaram-lhe até que uma tal de Hipotenuza e sua amiga uma tal de Geometria acusam-no de comportamento ultrajante"! "Não as conheço, nunca ouvi falar, como saber e conhecer não é meu forte, dos amigos acuados não me afasto, me aproximo, somos vinhos da mesma pipa, e subestimo, aqueles que intentam me acusar. O tempo passa, tudo há de se abafar!"
"Com a minha estimada e leda Musa que me inspira o engodo e a farra plena, apanágio do malandro e do farsante, passeio pelo mundo em nau a jato, de sorte que a justiça não me alcance, como posso saber, se sou errante, metamorfose ambulante?"
Escrito por LBeraldo às 12h49
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